NOTA 121 - UM POUCO MAIS DE AZUL - de Hubert Reeves

1 - Não se pode imaginar um começo a partir do nada.
                                                    2 - Se os sons forem escolhidos ao acaso,se não existe nenhuma relação entre aquele 
                                               que precede e aquele que segue,obtém-se "ruído" . Se,pelo contrário,eles são
                                                   estabelecidos segundo uma certa ordem,a ordem de J.S.Bach ou a dos Beatles,
                                                          obteremos "música". Porquê música em vez de ruìdo ? Não encontramos a resposta.
3 - Saber tudo,nunca será realidade .                           
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O planeta Terra ainda tem cinco mil milhões de anos de tranquilidade pela frente. Mas,entretanto,há que pensar
no futuro. E o que propõe o prof. Hubert Reeves ? Propõe 3 soluções possíveis :
1ª solução - Uma migração para outros planetas mais distantes do Sol,embora esta solução corra o risco de
ser reservada só para alguns privilegiados. E quem os escolherá ?
2ª solução - Deslocar a Terra inteira para a manter a uma distância sadia do nosso Sol ameaçador,utilizando
baterias de foguetes com energia obtida a partir da fusão controlada do hidrogénio. Diz o prof. Hubert Reeves
que queimando cerca de 10% da água oceânica,poder-se-à deslocar a órbita da Terra para além da órbita de
Saturno. Mas,o óbice é que o nível da água do oceano descerá cerca de duzentos metros. Conclusão do prof.
Reeves : "Enfim,não se pode ter tudo..."
3ª solução - Reanimação do Sol,no mesmo sentido em que se reanimam os corações enfraquecidos. É a solução
mais difícil,mas aquela que mais duraria,e consistiria em fazer rebentar uma super bomba H ou um potente
jacto de luz "laser",extremamente concentrado,entre o núcleo quente e a superfície solar. Mas há um problema :
a dificuldade seria fazer chegar a bomba ou o jacto "laser" ao ponto requerido,antes de se vaporizarem. Como
é que esse problema pode ser resolvido ? Responde o prof. Reeves:"Para isso faltam-me as ideias.Mas a verdade
é que temos ainda muito tempo para reflectir."
" Um Pouco Mais de Azul ",livro de divulgação científica da área da Cosmologia,escrito pelo prof.Hubert Reeves,
teve a sua 1ª edição em 1981 e conta com esta 7ª edição portuguesa de Março de 2013. O prof. Hubert Reeves
dispensa apresentações. Ilustre cientista,autor de numerosos e excelentes livros de divulgação científica,é um
dos grandes divulgadores da ciência para o grande público.
Para além das soluções possíveis para salvar o planeta Terra,que mais nos diz o prof. Reeves neste seu livro ?
Por exemplo,pergunta se o universo será eterno. E responde: "...o universo não será,talvez,eterno. A matéria
de que se compõem os nossos objectos desintegrar-se-à lentamente em luz. Felizmente,tal possibilidade encon-
tra-se ainda muito distante."
E o que havia antes ? Uma pergunta simples,à qual não sabemos responder - diz o prof. Reeves. Uma das
dificuldades é que "o calor destroi a informação" e "não teremos nenhum meio de ir lá ver ..."
À escala do universo,a quase totalidade da matéria é gasosa,neutra ou ionizada. A fracção sólida não
representa mais de um milionésimo do universo e a líquida é ainda mil vezes inferior.
Einstein dizia:"Deus não joga aos dados". O prof.Reeves não concorda. Diz que Deus joga aos dados,
mas só conserva os lançamentos vitoriosos. É o "acaso refreado",pela natureza,devido à invenção do ADN. 
E,sem os "bastidores da evolução cósmica",nada se passaria. E ninguém sabe,verdadeiramente,o que são 
o tempo,o espaço,a força,a energia,o acaso,ou as leis da natureza. Dentro destes,uma palavra para o
"Grande Alhures" - o vasto espaço em expansão entre as galáxias. Sem ele,o universo não teria vencido
as fases da complexidade e nós não estaríamos aqui para falar desse assunto.
Sobre as leis da física. De onde vêm as leis da física ? Haverá uma "influência imanente e omnipresente,
difícil de caracterizar com precisão" ?  O prof.Reeves diz que sim,na esteira da ideia de sincronia de
C. G. Jung. (1)  Mas,aquilo que o prof. Hubert Reeves gostava muito de saber era quais as relações
entre esta influência e a evolução cósmica.
(1) - Carl Gustav Jung (1875-1961) - cfr. sincronidade,in wikipedia.org